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De uma série de entrevistas, inicio com o repórter Márcio Nunes. "Trabalho há 12 anos, entrei na rádio indicado por um grande amigo (Gérson Kiefer) que sabia que um redator estava por sair, me avisou e fiz uma entrevista com o diretor da emissora." Tua origem - rica ou como a maioria dos brasileiros? "Minha origem é como a grande maioria dos brasileiros, muito humilde. Nasci em Porto Alegre, mas me criei em Dona Francisca, município vizinho a Agudo. Morei em Dona Francisca toda minha infância e na adolescência moramos em Agudo. Trabalhei em várias profissões como: entregador de jornal, apontador de jogo do bicho, servente de obra, pintor, auxiliar de caixa de supermercado, cobrador de ônibus e quase todas as funções numa rádio (recepcionista, operador de áudio, redator, vendedor, cobrador, locutor entre outras...)" A que horas começas e terminas de trabalhar? "Começo às 8 horas e termino às 18 horas." Casado ou solteiro? "Casado." Idade? "31 anos." Por que estavas no local do acidente? "Estava no local aguardando a chamada do estúdio para entrar no ar, faço reportagens com a unidade móvel e abordo diversos assuntos. Naquele dia comecei a trabalhar um pouco mais cedo, 7 horas. No dia anterior (04/01/10) caiu uma chuva torrencial no município e região, tão logo imaginava que teria muito que informar para nossa comunidade, tipo tem passagem por tal localidade..., o nível de tal arroio está assim..., o rio está se comportando assado...e daí por diante. Como já tinha divulgado vários boletins, resolvi aguardar e dar mais uma parcial sobre as cheias."
Após falar para a rádio Agudo, qual foi a primeira rádio de fora da cidade que te procurou? "A primeira rádio que ligou foi a Guaíba." Estavas fora ou sobre a ponte? "Estava fora da ponte, não sei precisar a distância, não ouvi estrondo algum, apenas vi uma enorme nuvem de poeira, corri para o local e vi aquela cena horrível, pessoas sendo levada pelas águas, gente chorando na cabeceira, uma correria e tanto." Viste a ponte caindo e a água levando as pessoas? "Não cheguei ver a ponte caindo, mas infelizmente vi a água levando pessoas." Quando não estavas no ar, o que tu fazias? Gritavas? Choravas? "Fora do ar eu tentava ajudar, socorrer (em vão) cheguei a descer um enorme barranco pra ver quantas pessoas estavam em apuros, buscava informações, confesso que por diversos momentos cheguei a chorar, inclusive quando um sobrevivente me relatou que teria criança em cima da ponte, não resisti, logo lembrei da minha pequena filha ( Julia de 6 meses)."
A tua vida já voltou à normalidade? "Praticamente voltou à normalidade, principalmente após os cinco corpos serem encontrados. Fiquei praticamente 11 dias direto fazendo a cobertura desta tragédia." Quantos boletins realizaste para a tua e para outras emissoras?
"Bah...perdi a conta de quantos boletins, tanto pra minha emissora quanto para outras, e ainda TV e entrevistas para rádios de quase todo Brasil". Recebeste algum cachê? "Não." Ficaste famoso? "Recebi muitas ligações, alguns elogios, e-mails...estou participando do teu blog,...mas sei lá... Não sei se isso é ser famoso. Continuo o mesmo Márcio J Nunes, convivendo com os mesmos amigos, e dando mais valor a vida e família." Teu projeto profissional? "Crescer profissionalmente..." |
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